Ainda em escavação
O colapso da muralha de Kuélap em 2022 e as escavações em curso
Porque é que parte da muralha de Kuélap caiu em 2022, que trabalhos de conservação estão agora em curso, e o que a descoberta de um túmulo em 2025 revelou sobre a sua longa história.
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É fácil presumir que uma cidadela de pedra tão antiga seja um tema estático e imutável, mas Kuélap continua a ser um sítio arqueológico ativo: um programa de investigação interdisciplinar tem documentado trabalhos em cerca de 16 áreas e mais de 24 000 metros quadrados da cidade amuralhada, com décadas de estudo lideradas pelo arqueólogo peruano Alfredo Narváez e outros, que continuam a refinar questões fundamentais — incluindo quando começou a construção e qual era a verdadeira função da muralha exterior. Novas descobertas surgem ainda com regularidade suficiente para que qualquer guia de Kuélap, incluindo este, descreva um quadro em movimento e não um caso encerrado.
Porque é que as muralhas se tornaram instáveis: uma década de sinais de alerta
Os problemas estruturais de Kuélap não surgiram da noite para o dia — a investigação sobre o estado do sítio identificou a infiltração de água da chuva nas paredes de calcário poroso como o principal fator de risco, agravado pelas encostas rochosas que canalizam a humidade para zonas vulneráveis, por obras de restauro anteriores que, inadvertidamente, aprisionaram água no interior das paredes, e pela pressão das raízes da vegetação da floresta nublada que cresce diretamente na alvenaria. A instabilidade era observada e reportada desde 2013, quase uma década antes do colapso mais grave, tornando abril de 2022 o culminar de um risco conhecido e monitorizado, e não uma surpresa repentina.
Abril de 2022: o que realmente colapsou
Durante uma estação chuvosa excecionalmente intensa, uma secção da muralha perimetral sul de Kuélap cedeu entre 10 e 11 de abril de 2022 — com uma extensão reportada de cerca de 15 metros de comprimento, 12 metros de altura e 5 metros de profundidade. O Ministério da Cultura do Peru declarou estado de emergência e coordenou uma resposta com o instituto nacional de defesa civil e vários outros órgãos governamentais, realizando trabalhos de estabilização antes de o sítio reabrir ao público. Continua a ser um dos lembretes mais claros de que as muralhas de Kuélap, por mais monumentais que sejam, são pedra seca empilhada há mais de quinhentos anos, sob pressão constante de uma das regiões mais chuvosas do Peru.
O programa de conservação atualmente em curso
O Ministério da Cultura do Peru comprometeu-se, segundo noticiado, com um programa de conservação plurianual para Kuélap, visando dezenas de áreas vulneráveis do sítio para reparação de muros, melhoria da drenagem e monitorização estrutural contínua — uma escala de investimento contínuo que reflete a seriedade com que o colapso de 2022 foi tratado, e não uma simples remendagem pontual. Para o visitante, o resultado prático é que algumas secções ou percursos dentro de Kuélap podem, ocasionalmente, estar condicionados enquanto os trabalhos de conservação decorrem — mais um motivo para confirmar o acesso atual com o seu operador turístico perto da data da viagem, em vez de assumir que o sítio que leu é exatamente o sítio por onde vai caminhar.
Uma descoberta tumular de 2025 que reescreve parte da história.
Em maio de 2025, o Ministério da Cultura do Peru anunciou a descoberta de uma estrutura funerária do tipo chulpa no setor norte de Kuélap, contendo os restos de quatro adultos e uma criança, juntamente com oferendas cerimoniais — um ornamento de osso esculpido representando um rosto estilizado com um cocar de estilo Chachapoya, um vaso ritual fitomórfico no estilo Inca Regional, um machado de pedra polida, um pingente de ardósia gravado e um fragmento de concha Spondylus trazido da costa do Pacífico. Datado do Horizonte Tardio (aproximadamente 1470–1532 d.C.), durante o domínio inca na região, o achado sugere que as práticas funerárias e rituais Chachapoya continuaram em Kuélap muito depois da conquista inca, em vez de simplesmente desaparecerem sob ela.
Porque é que Kuélap ainda não é Património Mundial da UNESCO — e quando poderá vir a ser
Apesar da sua dimensão, Kuélap não detém atualmente o estatuto completo de Património Mundial da UNESCO; consta da lista indicativa do Peru sob a designação mais ampla "Sítios Chachapoyas do Vale do Utcubamba" — um passo formal que sinaliza a intenção de um país em nomear um sítio, não a inscrição em si. A inclusão na lista indicativa é comum para grandes sítios que ainda estão a construir a infraestrutura de conservação, a documentação de investigação e os planos de gestão que a UNESCO espera, e o atual trabalho de estabilização e escavação é, sem dúvida, parte desse processo mais longo, em vez de um sinal de abandono ou negligência por parte das autoridades peruanas.